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Paulo era um santo e canteiro de samba, mas ganhava pão mamando nas oportunidades entre um bico e outro. No refrão da vida, feliz como um passista, não precisou seguir partitura pra chegar até ali. Era xará da cidade: sem princípios; cheio de meios; com o ego lá em cima, arranhando o céu; não tinha jeito, mas sempre arrumava uma forma. Como a boca-livre era só a do pandeiro, às vezes se via obrigado a carregar piano pra completar o pagode. Mas o show tinha que continuar, e nem isso o fazia perder a harmonia. Até que um dia, este que vivia de ex-banjo, foi desafinado a aposentar daquela vida de repetidos improvisos repentistas. No meio da Paulista fechada, encontrou um acostamento. 

Seu nome era Clara.

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