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Ainda é cedo. Sempre é cedo quando a banda começa a tocar La vie en rose. A algumas mesas e rostos velhos de distância, te vejo lendo Factótum. Dá pra dizer que temos algo em comum, uma queda por narrativas alcoólicas. Saco a caneta e o guardanapo; chamo o garçom.
Ele caminha passos homeopáticos e preguiçosos, carregando décadas nas pernas e na bandeja. Ajeito o paletó, inclino o chapéu pro lado e o copo pra dentro. De oito em oito anos, a noite passou rápido: certidão de divórcio, demissão, personagens do Bukowski e convites indecentes num guardanapo depois das 3.
Levanto.
Ainda é cedo para tirar algumas histórias do papel.

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