#47

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A menina anda jazz passos salpicados na boate, ele fala bolero palavras tamborilam arrepios no braço. Chão de grude, fim de noite, dose última, saideira-saidinha, after onde e depois o quê. A cabeça em frenesi, epilepsia xilofônica, a sinfonia dos fins de noite se deleita pela cidade. Hora de ir, pr’onde?.

A caminho solam conversa mole música de elevador, escuros borrões alisam a janela, borrados batons os cantos da boca,                                                                                 molhados.

Hermético, Hermeto desvencilha do toca-discos, mundaréu de sons gatunam o sem-jeito, vem pra cá diz a mão no braço, o olhar-convite.

Corpo-violino mirrado, dedilha-me escalas pentatônicas.

partituras-improviso, arranjo
harmonia, ah, toques polifônicos ui ai

línguas em catalão, espanholas, pernas em tango, movimentam-se,                                ballet moderno
peito sanfona, apneia.

Alto-falantes rastelam distantes restos da noite, prenúncio da

Clave de sol, a manhã clarineta por-entre a janela, quero bis.

Ela valsa desculpas, tons em falsete,
sabe-como-é
outra hora?, outrora.

Descompassado, baixolão, encara o teto,
percorre espelho, tapete, saguão, porteiro
a cidade-alguma-coisa-acontece vergonhosa chove, desencarnado suador
sua dor
só a dor.

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