#50

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Outrora juvenis os hinos que saem das pick-ups. Também o D.J. de smoking ensebado, comprado em um brechó da Vila Madalena, que com o cigarro de bruço nos lábios frouxos vasculha a caixa de discos empoeirados. Em algum ponto longe demais para ser ouvido, sinos bronzeados badalam uma dúzia de vezes. Nos mambembes do Centro, estranhos se reconhecem, se abraçam, se recordam de episódios e anos dourados enquanto margeiam as saliências no balcão de mogno e letreiros neon. Ouve-se os primeiros acordes da Fender Stratocaster empunhada pelo terceiro dono, um húngaro corcunda alcoolizado que hoje é atração. O D.J. abaixa levemente o som das suas caixas, sai sem pressa para um cigarro que o segurança lhe requisita. Gemidos espreguiçados sussurram pela extensão do bar como se na penumbra silenciosa que precede um concerto. “Szopni a mergét”, anuncia o músico; “yeahhh” grita a plateia que nada entende, creditando à licença poética da madrugada paulistana mais aquela exaltação.

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